Como o fim das bets no Brasil afeta os clubes de futebol?

O fim das bets chegou? E como que vai ficar os campeonatos e clubes brasileiros sem essa fonte de renda?

Leia Também:

O fim das bets chegou!? As casas de apostas esportivas se tornaram uma presença constante no futebol brasileiro nos últimos anos. Patrocínios em camisas, placas nos estádios, transmissões e ações digitais transformaram as bets em uma das principais fontes de investimento comercial para os clubes. Agora, esse cenário passa por uma mudança importante.

Em 25 de setembro de 2026, o governo federal decretou o fim das bets publicando uma Medida Provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas bets no Brasil. A medida também determina o encerramento das plataformas, previsto para 6 de outubro. Mas o que acontece com os clubes de futebol sem esse dinheiro?

Os clubes perdem uma importante fonte de patrocínio

O impacto mais imediato está nos contratos de publicidade. Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A tinham uma empresa de apostas como patrocinadora máster, ou seja, principal patrocinado, segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil. Os valores envolvidos são bastante diferentes entre as equipes, mas representam uma parcela significativa das receitas comerciais de vários clubes.

Entre os maiores contratos estão acordos que chegam a centenas de milhões de reais por temporada. Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, por exemplo, possuem contratos de grande valor com empresas do setor. Com a proibição, esses acordos ficam diretamente ameaçados, já que as empresas deixam de poder operar e fazer publicidade no país.

Menos dinheiro para contratações e salários

A perda de patrocinadores não significa apenas uma mudança no uniforme. Para muitos clubes, o dinheiro de patrocínio ajuda a financiar despesas importantes, como salários, contratações, premiações, categorias de base e estrutura do futebol. Se uma equipe perde dezenas ou até centenas de milhões de reais em receitas comerciais, será necessário encontrar outras fontes de dinheiro ou reduzir despesas.

Na prática, isso pode significar menos capacidade para disputar jogadores no mercado, renovar contratos e manter elencos caros. O tamanho do impacto, porém, será diferente para cada clube. Uma equipe que depende pouco desse tipo de patrocínio terá uma exposição menor do que outra que possui uma parcela significativa de sua receita comercial vinculada às bets.

Os clubes terão que procurar novos patrocinadores

Com a saída das empresas de apostas, o mercado de patrocínio esportivo ganha espaços que precisarão ser preenchidos. Empresas de tecnologia, bancos, varejistas, marcas de alimentos, montadoras e outros segmentos podem passar a disputar esses espaços. O problema é que substituir rapidamente contratos milionários não é uma tarefa simples.

As bets cresceram justamente porque estavam dispostas a investir valores elevados para conquistar visibilidade no futebol. Encontrar empresas dispostas a pagar quantias semelhantes pode levar tempo. Alguns clubes, inclusive, já haviam começado a procurar alternativas antes mesmo da confirmação da proibição.

O impacto pode chegar aos clubes menores

O efeito não deve ficar restrito aos grandes clubes. Embora Flamengo, Corinthians e outros gigantes concentrem alguns dos maiores contratos, equipes menores também utilizam patrocínios de empresas de apostas para reforçar seus orçamentos.

Em clubes com receitas mais limitadas, a perda de um patrocinador importante pode representar uma parcela considerável do dinheiro disponível durante a temporada.

Isso pode aumentar a diferença financeira entre equipes que possuem outras fontes de receita, como grandes torcidas, programas de sócios, direitos de transmissão e venda de jogadores, e aquelas mais dependentes de patrocínios.

E o futebol brasileiro como um todo?

O impacto também pode aparecer fora dos clubes. As empresas de apostas passaram a investir em diferentes áreas do futebol, incluindo competições, mídia, publicidade e ações com torcedores. A regulamentação brasileira também previa repasses relacionados ao uso de marcas, símbolos e outros direitos esportivos. Com a interrupção desse mercado, parte desse dinheiro deixa de circular no ecossistema esportivo.

Ao mesmo tempo, outros patrocinadores podem ocupar esse espaço ao longo dos próximos anos. A própria CBF, por exemplo, anunciou em julho de 2026 um novo acordo com a Coca-Cola para as Séries A e B, o Brasileirão Feminino e a Copa do Brasil até o fim de 2027, mostrando que grandes marcas de outros setores continuam interessadas no futebol brasileiro.

O futebol terá que se adaptar

O fim das bets representa uma mudança significativa no modelo comercial que se consolidou no futebol brasileiro nos últimos anos. Os clubes precisarão diversificar suas receitas e buscar novos parceiros comerciais. Programas de sócios, venda de produtos, exploração de estádios, conteúdo digital, direitos de transmissão e acordos com empresas de outros segmentos podem ganhar ainda mais importância.

Também será necessário observar como os contratos atualmente existentes serão encerrados e quais serão as consequências jurídicas e financeiras para cada clube.

Outro ponto importante é que a proibição ainda está sendo analisada pelo Congresso Nacional. A MP entrou em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Legislativo para continuar produzindo efeitos de forma permanente.

O que pode acontecer daqui para frente?

O futebol brasileiro entra em uma fase de transição. No curto prazo, a principal preocupação dos clubes é compensar a perda dos contratos com as casas de apostas. No médio prazo, o mercado deverá mostrar quais empresas estarão dispostas a ocupar os espaços deixados pelo fim das bets.

Para os torcedores, a mudança poderá ser percebida diretamente nas camisas, nos estádios e nas transmissões. Para os clubes, porém, a questão é muito maior: trata-se de substituir uma fonte de receita que se tornou importante em poucos anos.

O tamanho definitivo desse impacto dependerá de três fatores principais: o destino dos contratos atuais, a capacidade dos clubes de encontrar novos patrocinadores e o resultado da tramitação da Medida Provisória no Congresso.

Por enquanto, uma coisa já está clara: o futebol brasileiro terá que encontrar novas formas de financiar parte de sua estrutura comercial após o fim das bets.

Um amante de esportes e eSports. Além de escrever para o Ei Sports, escrevo também para outros sites pertencentes ao grupo SED.

Artigos Relacionados

Quem Tem Direito a Meia-Entrada em Jogo de Futebol?

Se você está se perguntando quem tem direito a meia-entrada em jogo de futebol, saiba que o benefício é garantido por lei a grupos específicos da população. Esta medida visa democratizar o acesso aos ...

Você continuará no nosso site

Melhores tenis de corrida para começar no esporte

Com o crescente interesse em atividades físicas, muitas pessoas estão se aventurando no mundo da corrida. No entanto, para iniciar essa jornada de forma segura e confortável, é fundamental escolher os melhores tênis de ...

Você continuará no nosso site

Olimpíadas 2024: Rebeca dá Bronze Inédito para o Brasil

As Olimpíadas 2024 trouxeram momentos de grande emoção para o Brasil, com destaque para a ginasta Rebeca Andrade, que conquistou uma medalha de bronze histórica para o país.  Este feito não apenas destaca o ...

Você continuará no nosso site